Ao longo dos meus anos de trabalho com viagens corporativas, eu pude presenciar uma transformação profunda nesse segmento. O que antes se limitava a reservas rápidas e organização de logística, hoje se tornou um campo estratégico, pautado por dados, tecnologia e protagonismo dentro das empresas. Falar sobre essa evolução é, para mim, uma maneira de valorizar o profissional e de mostrar como a gestão de viagens corporativas se tornou peça-chave para o crescimento do negócio.
A transição do operacional para o estratégico
Lembro bem de quando o gestor de viagens era visto quase como um operador: reservar voos, comparar tarifas e garantir que tudo ocorresse “sem surpresas”. Só que isso mudou. Agora, ser gestor envolve avaliar indicadores, integrar dados e prever cenários. O desafio deixou de ser apenas executar, tornando-se alinhar a mobilidade corporativa à estratégia da empresa.
Hoje, o gestor precisa ir além do operacional e ser capaz de trabalhar questões financeiras, aprimorar a experiência do viajante, negociar com fornecedores e apresentar resultados com dados.

Na Lá Vou Eu Business Travel, vejo na prática o impacto dessa abordagem mais estratégica. Nossos clientes não querem apenas destinos, mas informação, previsibilidade e suporte nas decisões.
Política de viagens x programa de viagens: entenda as diferenças
Muitas pessoas confundem política de viagens com gestão do programa de viagens. Em minha experiência, esta é uma das dúvidas mais comuns no setor. Para esclarecer:
- Política de viagens: documento que reúne diretrizes e regras sobre a conduta de viagens (limites de reembolso, uso de fornecedores, processos de aprovação, etc.).
- Gestão do programa de viagens: estrutura estratégica baseada em pilares como viajantes e stakeholders, finanças, processos e tecnologia, fornecedores, risco e segurança, agência, política de viagens. Aqui, o profissional conecta a gestão de viagens diretamente aos resultados da empresa.
Enquanto a política dita as regras, o programa foca em resultados e governança. Isso exige domínio em várias áreas, do financeiro ao jurídico, além de sensibilidade para observar os impactos em ESG e segurança.
A formação contínua como pilar do novo gestor
Eu sempre insisto: atualização é o que diferencia bons gestores. Novas demandas exigem conhecimento em temas atuais como:
- Inteligência artificial aplicada ao planejamento de viagens
- Automação de processos
- ESG e práticas sustentáveis
- Pagamentos virtuais e cartões corporativos digitais
- Análise de dados e integração de sistemas (BI, ERPs, Apps, etc.)
- Uso de KPIs e OKRs para medição de resultados
Soluções como a integração tecnológica nas viagens trouxeram autonomia e relatórios detalhados para os gestores. Ferramentas como dashboards e sistemas de BI já são realidade no dia a dia de quem trabalha em empresas competitivas.

Um exemplo claro do investimento em formação é o ALAGEV Educa, programa referência que amplia o repertório dos gestores, permitindo que eles argumentem junto a diretoria e áreas financeiras com base em dados, e demonstrem o valor da área para o negócio.
Reconhecimento formal do gestor de viagens: por que lutar por isso?
Em muitas empresas, vejo ainda a função de gestor de viagens sendo registrada por cargos genéricos no CBO (Classificação Brasileira de Ocupações). Isso dificulta valorização salarial, limita a carreira e fragiliza a estrutura do setor. O movimento de regularização via Ministério do Trabalho, apoiado por entidades como a ALAGEV, busca:
- Fortalecer responsabilidades e atribuições
- Reconhecer o papel estratégico na cadeia
- Incentivar a formação de novos profissionais
- Valorizar salários e evoluir planos de carreira
Eu concordo totalmente: o reconhecimento formal impulsiona o crescimento e a profissionalização das viagens corporativas. Isso incentiva empresas a estruturarem melhor os processos e focarem em resultados concretos.
Gestão orientada por dados: da operação ao insight
O gestor moderno precisa, cada vez mais, atuar de forma data-driven. Isso significa:
- Utilizar relatórios detalhados para argumentos estratégicos
- Monitorar indicadores (KPIs, OKRs) para apresentar economia real
- Integrar fontes de dados para ter visão completa do programa
- Antecipar tendências e riscos com base em análises consistentes
Já perdi a conta de quantas vezes uma boa análise de relatórios sobre viagens fez toda a diferença no argumento com o financeiro. Saber interpretar relatórios transforma a relação do gestor com a diretoria e cria bases sólidas para decisões importantes.
Segundo dados do Ministério do Turismo, o segmento de turismo de negócios no Brasil faturou R$ 13,7 bilhões em 2025, confirmando que o setor está cada vez mais relevante no cenário nacional. Esse crescimento se deve, em grande parte, à gestão estratégica baseada em dados.
Alinhamento com eventos e imagem da empresa
Sempre comparo o gestor de viagens ao gestor de eventos corporativos. Ambos planejam, controlam riscos, cuidam da experiência dos participantes e buscam reverter o investimento em imagem e resultados.
Estratégia, comunicação e dados alinhados: essa é a base do sucesso.
Um bom gestor de viagens impacta diretamente a percepção da empresa no mercado, garantindo viagens seguras, econômicas e processos claros. O papel não é apenas operacional, mas também institucional.
Desafios e tendências para 2025 e 2026
Entre janeiro e agosto de 2025, o turismo corporativo manteve crescimento, com resultados acima de R$ 1 bilhão ao mês e recorde esperado para o setor em 2026 (turismo corporativo em alta). Questões como as tensões geopolíticas entre EUA, Venezuela e Colômbia influenciaram rotas, obrigando as empresas a reverem sua estratégia de logística e Duty of Care, ou seja, responsabilidade pela segurança do colaborador.
Vejo que as tendências apontam para:
- Digitalização completa do processo de viagens
- Soluções de pagamento baseadas em cartões virtuais, substituindo opções tradicionais
- Gestão de riscos integrada ao planejamento
- Maior atenção à sustentabilidade, conforme ESG
- Demanda crescente por comunicação eficaz e experiência personalizada
Um estudo da Abracorp indica que o setor deve terminar 2025 em alta histórica, podendo movimentar R$ 9 bilhões no segundo semestre (viagens corporativas movimentarão R$ 9 bilhões).
O papel da ALAGEV e perspectivas institucionais
A ALAGEV reforçou seu compromisso com o setor ao anunciar Joyce Macieri como nova presidente para o biênio, além de homenagear Juliana Patti pela liderança anterior. Sou muito alinhado com a visão da entidade: crescimento depende de conhecimento, profissionalização e reconhecimento institucional. Como participante dos debates que a ALAGEV fomenta, percebo que nosso engajamento como categoria é fator decisivo para consolidar a profissão.
Dicas para caminhar para a profissionalização
Para quem quer avançar no setor, compartilho caminhos práticos:
- Buscar treinamentos e especializações, como o ALAGEV Educa
- Criar KPIs claros e acompanhar OKRs das viagens
- Implantar processos digitais e análise de dados nas decisões
- Adotar pagamentos virtuais e ferramentas de BI
- Fomentar o diálogo com diretoria, finanças e RH
- Trabalhar a comunicação interna com stakeholders e viajantes
- Defender o reconhecimento formal do cargo
Esse movimento não pode mais ser ignorado por quem quer se manter relevante em viagens corporativas.
Conclusão
Em minha jornada, vejo com clareza que gestão de viagens corporativas representa um elo estratégico, sendo impossível separar resultado empresarial de boa governança e controle dos processos de viagens. Líderes precisam abandonar o improviso, investir em tecnologia e buscar reconhecimento formal da função, como caminho indispensável para crescimento do setor e para melhores resultados.
Se você quer profissionalizar a área interna de viagens, recomendo se aprofundar em temas como antecedência no planejamento e como criar processos estruturados. Também considero que interpretar dados é tão determinante quanto saber negociar tarifas: quem faz isso bem, demonstra valor, defende orçamento e conquista espaço junto à diretoria.
Por fim, reforço:
Profissionalização, conhecimento e estrutura são o futuro da gestão de viagens corporativas.
Engaje-se, questione seus processos atuais, aprimore-se e faça parte do movimento pela valorização da área junto à ALAGEV e à comunidade empresarial. E se precisar de suporte profissional, conte com parceiros como a Lá Vou Eu Business Travel, que já coloca tudo isso em prática.
A gestão de viagens corporativas pode ser muito mais estratégica do que parece. A Lá Vou Eu Viagens atua ao lado das empresas para trazer controle, eficiência e inteligência para esse processo. Faça sua adesão ao nosso plano sem mensalidades hoje mesmo: www.lavoueuviagens.com.br/plano
Perguntas frequentes sobre gestão de viagens corporativas
O que é gestão de viagens corporativas?
Gestão de viagens corporativas é o conjunto de práticas, processos e estratégias adotados para planejar, controlar e acompanhar as viagens feitas por colaboradores a trabalho. Inclui desde a definição de políticas internas e negociação com fornecedores até o monitoramento de indicadores e análise de relatórios.
Como implementar uma gestão data-driven?
Para adotar uma abordagem data-driven, é preciso investir em sistemas de BI, integrar fontes de dados, definir indicadores (KPIs), analisar relatórios constantemente e basear decisões em números. Recomendo estudar iniciativas do setor e ferramentas citadas ao longo deste artigo, como as plataformas usadas pela Lá Vou Eu Business Travel.
Quais os benefícios da gestão estratégica?
A gestão estratégica das viagens corporativas gera maior controle financeiro, aumenta a segurança dos viajantes, melhora a experiência dos colaboradores e amplia o impacto positivo nos resultados do negócio. Empresas preparadas conseguem antecipar riscos, se adaptar às tendências e prever economia real, conforme discutido nas seções dedicadas a KPIs e governança.
Como reduzir custos em viagens corporativas?
Para economizar, é importante analisar relatórios, negociar contratos diretamente com fornecedores, adotar políticas claras, usar ferramentas de BI, buscar alternativas como cartões corporativos virtuais e trabalhar com consultores experientes. Recomendo conhecer as vantagens das agências especializadas e manter-se atualizado sobre tendências de pagamentos digitais.
Quais ferramentas usar para análise de dados?
Ferramentas de business intelligence (BI), dashboards integrados, aplicativos de gestão de viagens, plataformas de automação e ERPs são as mais usadas para monitorar e interpretar dados. O importante é garantir integração e acesso em tempo real, para decisões rápidas e fundamentadas.





