Executivos olhando um mapa entre Brasil e Estados Unidos com ícones de tarifas e vistos

Viagens corporativas nos EUA: 7 desafios com tarifas e vistos

Em meus anos atuando no universo de viagens de negócios, já vi muita tendência mudar de rumo quase da noite para o dia. Mas confesso que poucas vezes percebi tantas barreiras crescendo ao redor das viagens corporativas para os Estados Unidos como agora. O cenário mudou, e mudou rápido, com tarifas de importação altíssimas, novos requisitos para vistos e uma escalada do dólar. E, sinceramente, quem cuida de planejamento internacional em empresas precisa ficar atento a cada novo detalhe para não ser pego de surpresa.

As novas tarifas: de obstáculos a brechas inesperadas

O chamado “tarifaço” de 50% imposto pelos EUA sobre produtos brasileiros abalou o ambiente de negócios. Como mostram dados do Senado, quase 36% do que o Brasil exporta foi afetado, atingindo desde o café à carne. Isso representa algo próximo de 4% de todas as exportações nacionais para lá.

O impacto vai muito além das cargas – ele interfere no custo final das operações empresariais.

No entanto, nem tudo foi bloqueio total. Alguns setores escaparam das tarifas extras, como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos, fertilizantes e produtos energéticos. Com isso, o impacto ficou um pouco mais diluído, mas o efeito prático ainda se faz sentir em várias cadeias produtivas.

Várias exportações recentemente recuperaram competitividade, mas ainda vejo muitas empresas freando agendas internacionais por insegurança sobre o que pode acontecer amanhã. O risco e a incerteza batem à porta todos os dias.

Como o aumento dos custos ameaça a agenda de negócios

Soma-se a esse clima instável a valorização do dólar e uma inflação importada em ritmo acelerado. O resultado? Reuniões presenciais nos EUA estão ficando muito caras, não só pelas tarifas, mas também pelos preços dos voos, hotéis e alimentação que disparam junto com a moeda.

Executivos em sala de reuniões nos EUA com gráfico de tarifas ao fundo

É inevitável: muitas companhias, inclusive algumas para as quais já prestei consultoria, estão adiando encontros, priorizando videoconferências e até considerando destinos alternativos em suas estratégias de expansão. Se não houver negociação de tarifas e análise detalhada do retorno de cada deslocamento, o orçamento escapa pelo vão dos dedos.

Novas regras de visto e o peso da burocracia

As mudanças não se limitaram ao bolso. Em setembro, a maioria dos solicitantes de visto americano passou a ser obrigada a comparecer pessoalmente para entrevista consular, mesmo quem já tinha o visto anterior. Eu acompanhei o caso de executivos que, acostumados à renovação facilitada, enfrentaram atrasos significativos e uma bateria extra de exigências.

Como se não bastasse, em outubro, outra surpresa: o anúncio de uma taxa adicional de US$ 250 sobre o visto dos EUA, elevando o custo total para mais de R$ 2,5 mil. Um impacto pesado no planejamento de envio de profissionais ao exterior, principalmente para pequenas e médias empresas.

O visto deixou de ser um simples protocolo e se transformou em verdadeiro obstáculo operacional.

Ainda assim, a taxa de rejeição recuou para 14,8% em 2025, segundo dados recentes. Ou seja, quem planeja bem, ainda consegue aprovação, mas precisa se antecipar e aceitar custos e burocracias maiores.

Instabilidade política e novas barreiras migratórias

Desde abril de 2026, mudanças sobre vistos e controles migratórios deixaram o clima ainda mais imprevisível. Por ora, o Brasil ficou de fora das restrições mais duras, mas a mensagem está lançada: barreiras podem subir a qualquer momento. Isso aumenta a responsabilidade e a necessidade de planejamento detalhado por parte das organizações.

Sete desafios ao planejar viagens corporativas para os EUA

  • Tarifas de importação elevadas: o tarifaço de 50% aumenta custos, pressiona margens e exige mais precisão na escolha de fornecedores e logística.

  • Câmbio volátil: dólar valorizado representa despesas variáveis, e quase sempre maiores, tornando fundamental acompanhar diariamente a cotação.

  • Inflação importada: produtos e serviços encarecem, seja na origem, seja no destino, dificultando projeções orçamentárias.

  • Burocracia no visto: novas exigências de comparecimento presencial atrasam processos e geram mais documentos, como mostrei neste artigo.

  • Altos custos de visto: com a taxa extra, o visto passa a ser um verdadeiro investimento, e nem sempre há garantia de aprovação.

  • Instabilidade regulatória: decisões inesperadas podem mudar tudo de uma hora para outra, fazendo com que roteiros de viagem precisem ser flexíveis.

  • Necessidade de alternativas: empresas recorrem a reuniões virtuais, renegociam contratos e, muitas vezes, exploram opções na América Latina ou Europa. Sobre isso, recomendo a leitura do nosso conteúdo sobre o novo visto europeu, que deve ser considerado.

Como empresas podem reagir e proteger seu ativo mais estratégico

Na minha opinião, viagens de negócios continuam sendo fundamentais para criar conexões e abrir portas que o digital nunca vai conseguir replicar totalmente. Mas, no cenário atual, é preciso agir com mais frieza, monitorando custos, avaliando o real retorno sobre cada deslocamento e, acima de tudo, apostando em informação qualificada.

Planejamento estratégico de viagem corporativa com gráfico e visto americano sobre a mesa

Tenho sugerido para meus clientes medidas imediatas, como estas:

  • Renegociar contratos com companhias aéreas e redes hoteleiras (inclusive utilizando sistemas como da La Vou Eu Business Travel, que possuo experiência direta);
  • Usar videoconferências de forma mais estratégica, sem abrir mão de encontros-chave quando o face a face for determinante;
  • Buscar destinos alternativos, mantendo reuniões globais vivas, ainda que em locais diferentes do foco principal;
  • Planejar com máxima antecedência para evitar surpresas com cotações, horários e documentação (vale conferir o checklist para viagens corporativas ao exterior para não deixar nada passar).

Também oriento muita atenção com transporte e reservas. Já vi empresas enfrentando dores de cabeça por erros simples, que poderiam ser evitados ao seguir boas práticas de reservas corporativas.

O diálogo internacional e a sobrevivência no mercado global

Para além da rotina operacional, acredito sinceramente que a solução mais saudável envolve o diálogo entre governos, setor produtivo e entidades empresariais. Só assim será possível evitar danos permanentes ao comércio internacional, aos investimentos e à geração de conhecimento entre Brasil e Estados Unidos. Barreiras excessivas prejudicam negócios em ambos os países e ameaçam a capacidade de inovar e competir lá fora.

Mas, enquanto não surgem medidas mais favoráveis, cabe às empresas adaptar estratégias e buscar apoio especializado. Trabalhar com parceiros de confiança, como a La Vou Eu Business Travel, faz toda diferença quando tudo muda de uma hora para outra.

Viajar a trabalho nunca foi tão estratégico. E proteger cada viagem, mais vital do que nunca.

Conclusão

Sei que parece desafiador, mas ainda acredito nas viagens corporativas como porta de entrada para novas parcerias e longevidade no mercado global. Adotar controles, investir em inteligência de dados (algo que aprendi ao acompanhar projetos de business travel) e planejar meticulosamente são, hoje, obrigações para qualquer organização que queira manter um fluxo internacional de qualidade.

No fim, são as conexões pessoais, o olho no olho e as experiências conjuntas que continuam sustentando a inovação e a expansão dos negócios. E garantir a sobrevivência desta ponte entre países e mercados deve ser uma prioridade coletiva.

A gestão de viagens corporativas pode ser muito mais estratégica do que parece. A Lá Vou Eu Viagens atua ao lado das empresas para trazer controle, eficiência e inteligência para esse processo. Faça sua adesão ao nosso plano sem mensalidades hoje mesmo: www.lavoueuviagens.com.br/plano

Perguntas frequentes sobre viagens corporativas EUA

O que é uma viagem corporativa?

Viagem corporativa é o deslocamento realizado por funcionários ou executivos de uma empresa para atividades profissionais, como reuniões, feiras, treinamentos ou visitas técnicas. Normalmente, envolve planejamento detalhado de roteiros, reservas com tarifas especiais e acompanhamento do retorno sobre o investimento feito nesses deslocamentos.

Como tirar visto para os EUA?

Para tirar o visto americano de negócios ou turismo (B1/B2), é preciso preencher o formulário DS-160, pagar a taxa correspondente e agendar uma entrevista presencial no consulado ou embaixada. Em razão das recentes mudanças, praticamente todos os solicitantes, inclusive renovantes, devem ir presencialmente à entrevista e apresentar documentos que justifiquem a viagem. Recomendo conferir atualizações frequentes devido à instabilidade das regras consulares.

Onde encontrar as melhores tarifas aéreas?

Tarifas empresariais negociadas com agências especializadas, como faço junto à La Vou Eu Business Travel, costumam ser as mais vantajosas por conterem acordos exclusivos. Além disso, é válido monitorar promoções, reservar com antecedência e acompanhar as notícias como as do lançamento de tarifas sem bagagem de mão. O segredo está em combinar flexibilidade de datas e análise diária das opções existentes.

Quais documentos preciso para viajar a trabalho?

Em regra, são exigidos: passaporte válido, visto correspondente ao propósito da viagem, carta convite ou comprovação de agenda de negócios, seguro viagem e, em alguns casos, comprovantes de vínculo empregatício. Para não esquecer nenhum detalhe, sugiro acessar o checklist completo que elaboramos sobre documentação para viagens corporativas ao exterior.

Quanto custa uma viagem corporativa para os EUA?

O valor varia bastante, mas, levando em conta tarifas aéreas, diárias de hotel, alimentação, deslocamentos internos e taxas consulares, uma viagem de negócios para os EUA em 2025 pode exceder R$ 15 mil por pessoa, dependendo da cidade e período. Só o visto, com os acréscimos recentes, passa de R$ 2,5 mil. O orçamento deve ser calculado caso a caso e sempre com margem para imprevistos relativos ao câmbio.

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